sábado, 1 de agosto de 2015

Av. Paulista e o cafajeste.



  Há tempos que não via o cafajeste. Está de romance novo. Não o culpo, quem está protegido das flechadas dos cúpidos vagabundo desses nossos dias? Decidi chamá-lo para algo, pensei em ir ao bar na rua Augusta, mas lá é terra somente dos descomprometidos. Então não deu. Lembrei eu: precisava urgentemente adquirir novos livros, manter a massa pensante funcionando é o mais indicado. Sugeri uma ida à livraria na avenida Paulista, o cafajeste disse que tudo bem, lá poderia se apaixonar apenas pelas mocinhas dos best-sellers.

  Fui. A novidade era que levei junto minha mana. Seria um pecado deixa-la trancada em casa em sua última semana de férias. Eu e a mana ficamos esperando o cafajeste, que quase sempre costuma se atrasar, ouvindo uma banda de rua tocar Rolling Stones e um pouco de Beatles. Ao som de wild horses, fiquei admirando a imensidão reta da avenida Paulista. Local de manifestação dos trabalhados que não trabalham, por que estão manifestando logo num dia útil da semana.

  Ali sentado vi minissaias passando, quase chamando para o bom papo. Velhinhos iam e viam passeando sozinhos, quem sabe lembrando da boa companhia que um dia tiveram. Avistei alguns maloqueiros investigando suas próximas vítimas. Por fim deduzi ter visto a diversidade total em pessoas. Você é livre para ser romântico, cafajeste, gostar de meninos ou de meninas, ser pró governo ou oposição, ser feliz ou ser triste. Ouvir funk ou ouvir rock, se bem que rock é vida.

  Um parágrafo inteiro se passou, isso mostra o quanto foi sua demora. Quando chegou demos aquele abraço de amigos: um xingando o outro e abraçando forte mostrando saudade. Fumei um cigarro. Ora! Esperei o vagabundo esse tempão sem um cigarro preso a boca. Matei a vontade do pulmão que tenho, conversamos um pouco. As minissaias continuavam a passar, tentei prestar atenção no que o cafajeste falavam. No final da conversa concluí: a felicidade de forma total é representada na figura festiva do cafajeste neste dia de julho.

  Na livraria peguei dois livros. Peguei e paguei. Creio ter usado de forma errada o termo, não me denuncie, leitor! Comprei um livro para a mana, tenho sorte de ter uma irmã que goste de ler de forma sincera, sem ser obrigada pelo Ensino Médio mediano do país. Novamente percebi a diversidade presente no local: cada qual lendo seu livro, um meio tímido ali no cantinho ou lendo ali com o grupo de amigos. Tudo na avenida Paulista pertence a todos, não somente aos paulistas.

  Depois fomos num bar, bebemos e demos boas risadas. Foi bom rever o amigo e foi bom rever a Paulista. Foi bom ver a liberdade em formato de avenida. Parece que ali num sentido os militares podem vir marchando serenamente, enquanto no outro sentido os proletários podem vir cantando pra não dizer que não falaram das flores. 

  Por: Fellipe Barreto