quarta-feira, 15 de abril de 2015

O bonito



Sortudo é aquele que tem todas aos seus pés. O bonito, o garoto que por sorte veio ao mundo nu e bonito. Dizem as senhoras da rua, as enfermeiras foram as primeiras a se encantarem com tamanha beleza. Vinhera ao mundo com uma perfeição quase divina, diria. Cabelos pretos e liso, olhos azuis brilhantes como a mais preciosa joia, e veio com saúde. 

Conheço-o bem, sou amigo. A pouco tempo, mas sou amigo de confissão. Que vida boa tem o garoto bonito. Tem todas aos seus pés, nem precisa passar cantada nas meninas. Por onde passa elas o olham e desejam-no. Que depravação, pensa o leitor. O que as mães das meninas hão de pensar? Acredito que elas também devam olhar, até as senhoras dos assentos reservados olham. Isso não é segredo pra ninguém, nem pro Papa.

A pouco ele me contou: “uma menina pediu meu número”. Confesso que fiquei com um pouco de inveja, talvez muita inveja. Não sei, não lembro. Isso tem acontecido nos últimos dias, devo me tratar. Sobre o que dizia? Sim, o bonito passou-lhe o número. Eu o parabenizei, afinal, o que havia de fazer? A garota era um pitel, que bonita. 

No dia seguinte perguntei nervoso: “e ai? Ela puxou conversa?”, e pobre coitado, respondeu negativamente.  Fora a primeira que não se comunicava de imediato, ficara assustado com o feito da garota. O bonito resolvera esperar. Esperou por dias, vira a garota outras vezes. Sou do tipo que repara, reparo em tudo: na beleza alheia, na moça bonita que vai passando. Foi um dos dons que Deus me deu, dom comum que todo homem recebe ao nascer.

Reparei certa vez que avistamos a garota. Ela não tirava os olhos dele, sentou-se quase colada nele. Eu falei, “vai lá puxa assunto”. O rapaz disse que não, não queria relacionamento no momento. Eu fiquei abismado, como pode? Tanto garoto no mundo rezando pra uma coisa dessas vir a acontecer com eles! Não, não puxara assunto. 

Dias se passaram. Encontrei o amigo, o bonito. E ele dissera num tom iludido: “cara, vou falar com aquela garota, é bonita demais pra deixar passar”. É assim a vida, ela da voltas e voltas e vem com tudo  e o golpeia. Isso é o carma que volta pro bonito. A a vida é bela para o bonito, rapaz sortudo. 

Por: Fellipe Barreto

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