Os
revoltosos deram o ultimato: “o Imperador tem 24 horas para deixar o Brasil e
nunca mais voltar.” A vontade de transformar o Brasil em República virara moda
entre os opositores do Imperador, e então ela veio no dia 15 de novembro de
1889. O golpe tomou o Brasil de surpresa e o machucara, mas o golpe doeu mais
no pobre Imperador. Foram quase meio século no poder, muitos altos e baixos,
vitórias e derrotas. Pobre Imperador. Afinal, ele não governava bem? Dissera
algo que os ofendera? A velhice o atacara e o impedira de revidar o golpe, e
manter seu império.
Porém,
sangue brasileiro seria derramado,
brasileiros que o Imperador tanto amava e preocupava-se pelo bem estar
de seus súditos. Não pôde revidar, estava feito, a República fora instaurada e
o Império caiu desamparado. A família fizera as malas, o Imperador levou alguns
livros e, vejam que inusitado, um pouco de terra brasileira. Escrevera uma
carta aos súditos, uma despedida humilde para tamanha realeza: “{...}
conservarei do Brasil a mais saudosa lembrança, fazendo os mais ardentes votos
por sua grandeza e prosperidade”, escreveu o Imperador, quase não contendo as
lágrimas. Nunca viram o grande Imperador com tamanha melancolia e tristeza.
E
partiu. Exilou-se o Imperador de seu país tão amado. Foi para a Europa, saudosa
Europa. Todos sentiram pena do Imperador que fora golpeado, golpeado pela
vontade da República. A saudade do Brasil era tamanha, seu amor pela terra
querida era verdadeiro, sentira saudade das praias, dos campos, do povo que o
saudara. Não suportou a saudade, e morrera num quarto modesto de hotel em
Paris. “Deus me conceda esses últimos desejos – paz e prosperidade para o
Brasil”, e lá se foi o grande Imperador, Pedro de Alcântara.
A
notícia espalhou-se pelo Brasil, e o povo que ainda guardava na memória seus
grandes feitos, manifestaram seu pesar: fecharam o comércio, colocaram
bandeiras a meio mastro, e realizaram missas solenes por todo o país.
Demonstraram seu carinho e saudade por quem os governou, mesmo agora sobre as
asas repressoras da República Federativa do Brasil, outrora fora Império dele,
seu querido Imperador, o senhor Dom Pedro II. Ao preparar o corpo frio da realeza
encontraram um pacote com terra, afinal, o que fazia o Imperador com um punhado
de terra? E lá estava escrito por Pedro um bilhete: “É terra de meu país;
desejo que seja posta no meu caixão, seu eu morrer fora de minha pátria”. E
morreu exilado, o querido Imperador, que de seu maior erro foi amar demais a
pátria que o exilara.
Por: Fellipe Barreto
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