domingo, 19 de abril de 2015

O triste Imperador




Os revoltosos deram o ultimato: “o Imperador tem 24 horas para deixar o Brasil e nunca mais voltar.” A vontade de transformar o Brasil em República virara moda entre os opositores do Imperador, e então ela veio no dia 15 de novembro de 1889. O golpe tomou o Brasil de surpresa e o machucara, mas o golpe doeu mais no pobre Imperador. Foram quase meio século no poder, muitos altos e baixos, vitórias e derrotas. Pobre Imperador. Afinal, ele não governava bem? Dissera algo que os ofendera? A velhice o atacara e o impedira de revidar o golpe, e manter seu império.

Porém, sangue brasileiro seria derramado,  brasileiros que o Imperador tanto amava e preocupava-se pelo bem estar de seus súditos. Não pôde revidar, estava feito, a República fora instaurada e o Império caiu desamparado. A família fizera as malas, o Imperador levou alguns livros e, vejam que inusitado, um pouco de terra brasileira. Escrevera uma carta aos súditos, uma despedida humilde para tamanha realeza: “{...} conservarei do Brasil a mais saudosa lembrança, fazendo os mais ardentes votos por sua grandeza e prosperidade”, escreveu o Imperador, quase não contendo as lágrimas. Nunca viram o grande Imperador com tamanha melancolia e tristeza.

E partiu. Exilou-se o Imperador de seu país tão amado. Foi para a Europa, saudosa Europa. Todos sentiram pena do Imperador que fora golpeado, golpeado pela vontade da República. A saudade do Brasil era tamanha, seu amor pela terra querida era verdadeiro, sentira saudade das praias, dos campos, do povo que o saudara. Não suportou a saudade, e morrera num quarto modesto de hotel em Paris. “Deus me conceda esses últimos desejos – paz e prosperidade para o Brasil”, e lá se foi o grande Imperador, Pedro de Alcântara.

A notícia espalhou-se pelo Brasil, e o povo que ainda guardava na memória seus grandes feitos, manifestaram seu pesar: fecharam o comércio, colocaram bandeiras a meio mastro, e realizaram missas solenes por todo o país. Demonstraram seu carinho e saudade por quem os governou, mesmo agora sobre as asas repressoras da República Federativa do Brasil, outrora fora Império dele, seu querido Imperador, o senhor Dom Pedro II.  Ao preparar o corpo frio da realeza encontraram um pacote com terra, afinal, o que fazia o Imperador com um punhado de terra? E lá estava escrito por Pedro um bilhete: “É terra de meu país; desejo que seja posta no meu caixão, seu eu morrer fora de minha pátria”. E morreu exilado, o querido Imperador, que de seu maior erro foi amar demais a pátria que o exilara. 

Por: Fellipe Barreto

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