domingo, 3 de maio de 2015

Medo de injeção, eu?!

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Hospital, esse é um assunto que para mim sempre foi, digamos, delicado, por favor, não pense que eu sou um medroso que tem medo de hospitais... tenha certeza disso! Não tenho vergonha de admitir tal fato. Para mim o hospital provavelmente é o pior lugar do mundo, me recuso até mesmo a dizer que um cemitério seja pior, pois ao menos no cemitério o ar é bem mais puro e por incrível que pareça, até o cheiro de morte é menor.

Sou daquele tipo que só vai no hospital quando não tem mais jeito, sempre seguro e fico pensando: "vai melhorar sozinho" ou "muita água, chá e aspirina vão dar um jeito", infelizmente essas teorias nem sempre se confirmam... recentemente, fiquei bastante mal e passei a madrugada com febre, mas ainda assim, me recusei a ir no médico, chame-me de cabeça dura mesmo. Passei uma boa parte da madrugada com uma crise respiratória e sem conseguir dormir por conta disso, até que uma hora finalmente admiti que não tinha jeito, precisava ir ao médico. Pensei "são 2 horas da madrugada, vou segurar até umas 6 horas da manhã, minha mãe costuma acordar neste horário, aí peço que ela me leve no hospital".

Bem, o plano não saiu como o esperado, não aguentei esperar até às 6 horas. Por volta das 3:40 minha mãe acordou com um vulto, de respiração pesada e curta, chamando o nome dela na beira da cama, acredito que se ela fosse cardíaca, tinha tido um ataque neste momento. Como ela convive com minhas crises respiratórias desde que sou pequeno, não precisou fazer nenhuma pergunta, se levantou, passou um café para despertar, mandou que eu me troca-se e lá fomos nós rumo ao hospital.

Graças as surpreendentes - e por vezes assustadoras - habilidades de minha mãe ao volante, chegamos bem rápido no hospital. Já na sala de espera, passei um certo tempo observando os outros pacientes que se encontravam comigo no recinto, fiquei durante um curto período tentando adivinhar o que diabos os trouxe ao hospital. Como era de se esperar, pelo horário haviam poucas pessoas. Mas o que mais me chamou a atenção. foi um casal de idade aparentemente bem avançada, para ser honesto, tive dificuldade de decifrar quem era o paciente ali, pensei que talvez fossem até os dois. Descobri que tratava-se da mulher, pois chamaram um nome feminino para para o consultório, confesso que fiquei um tanto admirado de ver o amor com o qual o velho Sr. a amparava enquanto iam em direção ao consultório, era aquele tipo de casal que de alguma forma emana amor. Havia também um grupo de rapazes aparentemente de idade igual a minha, todos estavam notavelmente bêbados, não precisei ser nenhum detetive para identificar que o paciente era o rapaz com uma das mangas da camisa rasgada e um corte um tanto feio no braço, um corte feio o suficiente para me obrigar a desviar o olhar, sim, sou do tipo que tem estômago fraco para sangue, de qualquer forma, estava curioso para saber como ele conseguiu aquele ferimento, tentei ouvir a conversa, estava até fazendo uma aposta comigo mesmo, "briga de bar ou boate, com certeza" pensava eu. Infelizmente não consegui descobrir o motivo, pois fui chamado para o consultório.

Já no consultório, como de costume o médico me perguntou o  eu estava sentindo, quais medicamentos havia usado, quando comecei a sentir aquilo e blá blá blá, até que então, veio minha sentença: Medicação na veia ou para os leigos, simplesmente injeção. Pensei na hora: "Injeção, o que?! Casseta doutor! Não pode me dar logo tiro na cabeça?" Entretanto, consegui apenas gaguejar um "Tu... tudo bem". Engoli aquela sensação ruim e lá fui eu para a sala de medicação acompanhado de minha mãe. Pensei comigo mesmo "Cassete, tenho 20 anos e ainda preciso de minha mãe comigo para tomar um injeção. No dia em que ela se for é melhor deixar a cova aberta, para eu me jogar dentro".

Na sala de medicação, entreguei a ficha médica à uma enfermeira, ela pediu que eu me sentasse em uma poltrona e aguardasse. Não demorou muito e logo meu carrasco apareceu, todo vestido de branco, assim como o anjo da morte deve vir buscar suas vitimas e em suas mãos estava sua arma, a seringa, com uma "inofensiva" agulha, com menos de alguns milímetros, por que ter medo daquilo? Bobagem! É APENAS UM FINO E AFIADO PEDAÇO DE FERRO, QUE IRÁ PERFURAR MINHA PELE, ADENTRAR EM MINHA VEIA E INJETAR UM LIQUIDO QUALQUER DENTRO DE MIM, super normal, isso nem me causa uma extrema agonia... 

É surpreendente o como minha mãe se diverte nesses momentos, até pergunta rindo se eu quero que ela segure minha mão, para falar a verdade, até cogitei sobre a possibilidade, mas dispensei. Cruzei as pernas uma sobre a outra, mas minha mãe, que me conhece muito bem, mandou que eu descruzasse as pernas para não chutasse o enfermeiro, porque sim, já fiz isso antes.

Meu carrasco então me perguntou, "posso aplicar?" assim como um soldado que encara a morte de frente, disse que sim e até pensei sozinho: "maldito, antigamente perguntavam quais eram nossas últimas palavras". E lá veio, aquela picada, aquela dor aguda. Lembro-me bem que quando eu era mais novo, as enfermeiras(os) tentavam me acalmar dizendo "é como uma picadinha de formiga", picada de formiga? Que tipos de formiga andam picando essas pessoas? 

A injeção me parece uma maldita tortura de três fases, a primeira é te furar,  a segunda é injetar um liquido frio em suas veias e a terceira, é arrancar a agulha de sua pele. Infelizmente tenho de admitir, que graças àqueles 30 ou 40 segundo de tortura - que mais pareciam uma eternidade - eu estou aqui, sentado redigindo essas linhas. Bem, estou melhore estou me preparando para meu próximo encontro com a agulha, pois sei, que esta não foi e nem será a última vez que enfrento essa velha inimiga, teremos mais alguns encontros no futuro, mas quero que ela saiba, a cada batalha eu fico mais forte! E talvez um dia eu consiga te encarar, olho no olho!

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