domingo, 12 de julho de 2015

Daqueles sábados.



Daqueles sábados guardo a visão de seu rosto. E que meio sonolento, naquele instante em que admirava, despertava para um novo dia diante de seu olhar. Falávamos de tudo, temas variados: sobre as novidades do cafajeste (grande amigo nosso), sobre as músicas de rock n’ roll que um apresentava ao outro, ou simplesmente eu dizia alguma bobagem e tinha eu a sorte de ver em seu rosto brotar aquele sorriso sincero, a risada tímida de menina rebelde. É disse que me lembro.

 Fora festa no dia em que lhe vi, festejávamos o aniversário de uma qualquer, mas agora depois de tanto tempo entendo: festejávamos o começo de nossa amizade. De tão bobo que fui e ainda sou, não consegui confessar-me com ti. Mas ora! Todos viam e sabiam, que depois de tanta amizade o destino fez surgir o sentimento que aqui receio em dizer a ti. Como um louco me guardei e sofri sem pesar, que calado ainda agora lembro, quão estúpido talvez eu tenha sido em não lhe falar.

 Os dias se passaram, passaram-se estações e sentimento manteve-se firme em meu coração. Mas ora, porra! O destino maldito fez-se em desgraça, a distância entre nós foi aumentando e então pouco falávamos durante a semana, e os sábados passaram a ser somente mais um dia na semana. Querida, se estas a ler, peço que pare agora. Daqui pra baixo é só mágoa e tristeza, não a culpo. Sofri nesses dias de separação, a amizade não era mais a mesma de outrora, meus dias ganharam um tom sórdido de cinza.

 A mágoa fora tanta que não resisti, juntei-me com nosso amigo cafajeste e festejei as mágoas nas Augustas, Gabrielas e Isis nas esquinas. Bebi alguns drinques em memórias daqueles sábados, daquele rosto que outrora sorria das bobagens minhas. Ah, eu fumei cigarros para calar a boca que quase gritava ao mundo em confissão. E meu bem, em cada esquina e em cada gole e em cada maço, eu me perdia e desejava que você um dia voltasse a me encontrar. 

 Peço que perdoe o atrevimento, mas história sofrida como esta tinha como destino virar texto. Se existe ainda o sentimento, confesso que não sei. Talvez ele tenha pegado um câncer pelos cigarros ou perdido um rim pelas bebidas.  


Por: Fellipe Barreto

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