domingo, 5 de abril de 2015

Um cafajeste à solta nas ruas




“Que cafajeste!”, dizem as meninas quase loucas. “Elas odeiam-no?”, penso cá com meus botões. E logo percebo que não, e elas querem é mais. O jovem cafajeste é adorado por elas. Os que o vêem, jamais imaginam o quão sofrido fora seu passado.

 Antes da cafajestisse, fora romântico e trabalhador. O que ganhava durante a semana, gastava só com ela. Outrora a menina morara perto, mas o destino quis colocar a amada em outra cidade. Mas isso conto-lhes outra hora. Sobre o que eu dizia? Sim, gastava tudo com ela. Os presentes eram vários, bombons dos mais caros, perfumes importados, e era disso que ela gostava. Muitos diziam que o pobre romântico só procurou emprego graças a ela.

Quando recebi a notícia até fiquei triste: terminaram. A vida é cheia de surpresas, a amada fez esse tipo de coisa. O amou, mas o prendeu feito o pássaro daquela canção, Assum Preto. Furou os olhos do romântico, para que não olhasse a beleza alheia, e o prendera numa gaiola longe dos passarinhos amigos. Leitor, não vou mentir, o luto durou alguns meses. Houve uma mudança na personalidade do romântico, a solidão e a bebida foram as que mais o consolaram.

O rapaz virou cafajeste. “Vou viver por muito tempo, vou amar por alguns minutos”, confessou-me. E foi assim que o romântico virou cafajeste, e hei de confessar: virou um grande cafajeste, do tipo que beija a garota na balada e passa o número errado para a pobre menina desiludida. “Hei de amar a mulher, hei de amar todas”, diz com orgulho. Quando pergunto se sente algo pela amada que furou-lhe os olhos, diz com dor e pesar no coração: “Era uma vadia que feriu meu coração”.

 Segue o cafajeste, amigo meu, durante a noite. Vagando, beijando, bebendo e fumando. Peço para que as meninas tomem cuidado, pois ele vaga pelas ruas próximas, talvez esteja na rua Augusta, ou na Av. Paulista, quem sabe longe lá no Capão. Porém, sei que estará sozinho, afinal, é assim o cafajeste. Tem amor para dar a todas, um amor que dura apenas uma noite e deixa como marca, um gostinho de querer mais e mais. Por:



Por: Fellipe de Sousa Barreto


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