Quando
meu último suspiro for dado, digam amigos, que enquanto perdia a consciência
pensava nela, e somente nela. Aquela menina de tempos atrás, que amara tanto e
fora a felicidade de minha vida, partiu sem despedir-se. Não houve adeus, isso
foi o que doeu mais. Depois dela houve outras, mas não houve amor maior do que
o que dediquei a ela. Ela, vagabunda, filha de uma vaca, a menina que tanto
amei se fora.
Deixo
registrado todo meu descontentamento com a vida. Caí desamparado em choro
quando partira, chorei sem ganhar abraço. Abraço de ninguém. Como pôde fazer
tamanho desfeito com quem teve tamanho amor? Saiu fugida, talvez era filha de
bandido e eu não perguntei. Cansei de me perguntar o por que da partida. Posso
ter errado em amá-la, mas era gostoso, o sentimento de amar vicia.
Que
filha de uma vaca! Envelheci e tornei-me um velho, um velho rabugento. Vieram
outras depois dela, outras mais bem feitas, bem definidas. Vieram as mulatas,
as loiras e morenas. Porém, ela fora a única ruiva que aparecera em minha vida,
as ruivas fazem o ato bem feito, mas fazem mal no dia seguinte. Nem todas devam
ser assim, vagabundas e filhas de vacas, talvez fora a única.
Só
eu sei como dói tamanha saudade, ah que estupidez fora amar-te! Agora já velho
a única certeza que tenho é que a morte
vem, e vem logo. Estou doente, preso na cama, os amigos visitam e sentem pena.
Pena de quem amou e foi humilhado, de quem a teve por apenas uma noite, e a
amou por toda a vida. Não creio que possa lhe encontrar, e nada mais vos posso
dar, a não ser esse sentimento que acompanhou-me por toda a vida, presente em
meu último suspiro. Sua foto esta guardada na gaveta do criado-mudo, junto com
as cartas de amor que sonhei entregar para ti.
Por: Fellipe Barreto
Nenhum comentário:
Postar um comentário