quarta-feira, 15 de abril de 2015

O centro de minha cidade




   Como é belo o centro de minha cidade. Conheço pouco o centro, mas o pouco que conheço já é muito, é lindo. É histórico, sim, é histórico o centro de minha cidade.  Suas ruas, seus edifícios, até os mendigos hão de ser históricos. Os mendigos, uma juventude que aproveitou o centro de minha cidade, mas que perderam rumo da vida, no centro de minha cidade.

   Lembro de minha infância, pequenino, indo ao centro. O dia de acompanhar minha mãe no serviço era festa. O trajeto era uma aventura. Pobre mamãe, passava horas no caminho de ida e volta do serviço, sofredora e guerreira. Na infância não existe sofrimento, tudo era belo. Até o trânsito, até os mendigos. Não nos esqueçamos deles. Pobres figuras solitárias, no centro de minha cidade.

   Na infância tudo era imenso, gigante. As ruas eram enormes, as praças eram gigantes, os edifícios eram altos, quase tocando o céu. Ficava bobo ao admirar tudo aquilo. Certa vez mamãe disse: “presta atenção por onde anda, olha pro chão”, e eu pobre coitado, olhei o chão e não vi o poste. Dei de testa naquele poste histórico, no centro de minha cidade. Chorei, mas a dor passou logo, pois avistara o Edifício Martinelli. Prédio onde mamãe trabalhava.

   Hoje, acabo de voltar do centro. Que bobagem lembrar da infância. Hoje tudo parece normal. As ruas são pequenas, as praças são fedidas, os edifícios são baixos. Ora, perdi aquele olhar de criança. A cada esquina um mendigo, um perdido no centro de minha cidade. Porém, ainda admiro feito bobo os edifícios, são históricos e belos. Edifício da Prefeitura de minha cidade, edifício Banespa, o Teatro Municipal, e o histórico e amado, edifício Martinelli. Que bonito o centro de minha cidade, cidade de São Paulo.

   A cidade de São Paulo continua linda, que me perdoem os cariocas. Cidade antiga, sempre fora movimentada. Pessoas indo e vindo, no centro de minha cidade. Quantas histórias, quantas pessoas passaram e hão de passar pelas suas ruas. Ruas pequenas, mas históricas. Será que todas admiram sua grandeza? Grandeza do centro de minha cidade. Até a decadência, leitor, tornou-se histórica. Mamãe morou por lá na juventude, brincou com suas irmãzinhas na rua em frente ao edifício Astral, no centro de minha cidade. Agora há mendigos em frente ao prédio onde mamãe outrora brincara. Não esqueçamos dos mendigos, do centro de minha cidade.

   Agora só há pressa nas ruas, não há admiração pelos edifícios, pelas praças e pelas ruas notáveis. Verei o centro de minha cidade, como vira quando criança? Não, pois o tempo passa. A visão perde o foco, fica envelhecida. Hei de guardar na memória tamanha grandeza, e contarei aos netinhos sobre o centro de minha cidade. Como um dia fora. Seus edifícios, praças e ruas. E não me esquecerei dos mendigos, do centro de minha cidade. Cidade antiga e histórica, decadente e permanente. Centro onde mamãe crescera e brincara, centro da infância do menino que hoje escreve, centro onde os mendigos perderam o rumo. O centro da minha cidade, cidade de São Paulo.  

Por: Fellipe Barreto

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