Como
é belo o centro de minha cidade. Conheço pouco o centro, mas o pouco que
conheço já é muito, é lindo. É histórico, sim, é histórico o centro de minha
cidade. Suas ruas, seus edifícios, até
os mendigos hão de ser históricos. Os mendigos, uma juventude que aproveitou
o centro de minha cidade, mas que perderam rumo da vida, no centro de minha
cidade.
Lembro
de minha infância, pequenino, indo ao centro. O dia de acompanhar minha mãe no
serviço era festa. O trajeto era uma aventura. Pobre mamãe, passava horas no
caminho de ida e volta do serviço, sofredora e guerreira. Na infância não
existe sofrimento, tudo era belo. Até o trânsito, até os mendigos. Não nos
esqueçamos deles. Pobres figuras solitárias, no centro de minha cidade.
Na
infância tudo era imenso, gigante. As ruas eram enormes, as praças eram
gigantes, os edifícios eram altos, quase tocando o céu. Ficava bobo ao admirar
tudo aquilo. Certa vez mamãe disse: “presta atenção por onde anda, olha pro
chão”, e eu pobre coitado, olhei o chão e não vi o poste. Dei de testa naquele
poste histórico, no centro de minha cidade. Chorei, mas a dor passou logo, pois
avistara o Edifício Martinelli. Prédio onde mamãe trabalhava.
Hoje,
acabo de voltar do centro. Que bobagem lembrar da infância. Hoje tudo parece
normal. As ruas são pequenas, as praças são fedidas, os edifícios são baixos.
Ora, perdi aquele olhar de criança. A cada esquina um mendigo, um perdido no
centro de minha cidade. Porém, ainda admiro feito bobo os edifícios, são
históricos e belos. Edifício da Prefeitura de minha cidade, edifício Banespa, o
Teatro Municipal, e o histórico e amado, edifício Martinelli. Que bonito o
centro de minha cidade, cidade de São Paulo.
A
cidade de São Paulo continua linda, que me perdoem os cariocas. Cidade antiga,
sempre fora movimentada. Pessoas indo e vindo, no centro de minha cidade.
Quantas histórias, quantas pessoas passaram e hão de passar pelas suas ruas.
Ruas pequenas, mas históricas. Será que todas admiram sua grandeza? Grandeza do
centro de minha cidade. Até a decadência, leitor, tornou-se histórica. Mamãe
morou por lá na juventude, brincou com suas irmãzinhas na rua em frente ao edifício
Astral, no centro de minha cidade. Agora há mendigos em frente ao prédio onde
mamãe outrora brincara. Não esqueçamos dos mendigos, do centro de minha cidade.
Agora
só há pressa nas ruas, não há admiração pelos edifícios, pelas praças e pelas
ruas notáveis. Verei o centro de minha cidade, como vira quando criança? Não,
pois o tempo passa. A visão perde o foco, fica envelhecida. Hei de guardar na
memória tamanha grandeza, e contarei aos netinhos sobre o centro de minha cidade.
Como um dia fora. Seus edifícios, praças e ruas. E não me esquecerei dos mendigos, do centro de minha cidade. Cidade antiga e histórica, decadente e
permanente. Centro onde mamãe crescera e brincara, centro da infância do menino
que hoje escreve, centro onde os mendigos perderam o rumo. O centro da minha
cidade, cidade de São Paulo.
Por: Fellipe Barreto
Por: Fellipe Barreto
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