quarta-feira, 29 de abril de 2015

Depoimento de um romântico calado



Acredito que o mundo tenha mudado o homem, em especial os românticos. Atualmente temos medo de demonstrar ao mundo o que sentimos, o que queremos e o que amamos. O mundo coloriu-se de cinza, a timidez é a imperatriz desse império triste e calado. Lembro que na infância bem vivida, demonstrávamos sem medo nossas alegrias, nossa raiva e nossos amores. Porém, quis o mundo se modernizar e mudar aquele menino que cresceu e hoje escreve.

Não quero falar muito, talvez por ser algo pessoal. A presença dela próximo a mim faz com que eu perca esse medo que me tortura. Devo estar beirando a insanidade . “Estou louco!”, gritarei ao mundo enquanto ele não estiver olhando. A conheci a pouco tempo, mas já sinto falta quando vejo seus “bom dia” e das conversar que temos graças a insônia da madrugada. Sofro sem tê-la ao meu lado, sem seu toque, sem seu carinho de seu doce falar, sofro um sofrimento desumano. A cada minuto sem ela trata-se de uma terrível tortura. Peço a anistia! Para que assim e somente assim, esse sofrimento cesse e que meu coração possa bater no ritmo da música.

Talvez esse sentimento seja apenas momentâneo. Talvez na velhice que vem adiante eu nem me lembre mais. Quem sabe eu deva manter em silêncio e apenas cultivar sua amizade. Mas quantos amores ficaram escondidos na amizade? Chego a seguinte conclusão: esse é o erro eterno do romântico, amar escondido um amor divino. Diferente dos comuns que amam o que encontram a cada esquina, o romântico ama eternamente enquanto o sentimento bater no peito.

Um grande amigo meu, que tem fama de bonito e cafajeste, certa vez questionou-me  e que aqui compartilho o questionamento, afim de ajudar os que também sofrem por um amor calado: “o que você tem feito para conseguir essa companhia que você tanto deseja?” Ora! Palmas para o amigo. Confesso nunca ter parado pra pensar nisso. E afina, querido leitor, o que fiz? Fiz nada, sempre deixei que o medo falasse mais alto do que o que grita à minha mente: medo de ouvir uma grosseira negativa e acabar sofrendo ainda mais.

Sonho um mundo em que os sentimentos outrora escondidos falarão mais alto. Enquanto esse mundo não muda e continua mudo, seguirei meus dias num sofrimento que parece não ter fim. Sofro por amar escondido e por ter medo de falar que amo e que aqui escrevo e confesso, amo. Amo fulana de tal.

Por: Fellipe Barreto

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