Deus não protege os bastardos, foi isso que aprendi desde
novo. De criança, tenho apenas lembranças de minha mãe sendo espancada pelo meu
pai, sem muito poder fazer, pois apenas com a pensão miserável que ele ganhava junto ao salário dela, ela nunca poderia dar uma vida digna ou uma melhor
oportunidade aos seus filhos. Amor, talvez esse seja a melhor forma de resumir
minha mãe, independente das vezes em que ela me deu uma surra bem dada – admito,
em muitas delas mereci mesmo. Engraçado, o amor as vezes é um sentimento
confuso, tentamos proteger tanto àquele que amamos, que nos tornamos quase possessivos. Acredito que talvez toda (boa) mãe cometa esse pequeno erro, a possessividade sobre seus filhos.
Quando mais velhos, entendemos que ela apenas tinha medo de
que nos machucássemos. Em minha adolescência gostava de dizer à minha mãe: “Relaxa
minha velha, é caindo que aprendemos a nos levantar”. Como eu era otário em pensar
isso, não digo que essa frase não possua sentido ou esteja errada, o que quero
dizer é que na verdade, em muitas das vezes em que cai, foi ela que me levantou,
e tenho certeza de que isso aconteceu convosco também, querido leitor. Gozado,
se pensarmos bem, ela nos levanta até o seu último segundo, até em seu leito de
morte ela irá nos pedir “Não chore, tudo vai ficar bem”. Para falar a verdade,
conhecendo bem a minha mãe em particular, talvez ela peça para que seja feita
uma festa em comemoração à sua morte, simplesmente porque ela odeia ver as
pessoas tristes.
Deus não protege os bastardos, disso eu tenho certeza, mas
sei que ele protege suas mães, para que essas possam proteger suas crias. Por
mais que eu, mero mortal, não possua fé, peço a Deus ou a entidade
suprema responsável por esse departamento: Proteja minha velha, ainda preciso de
alguém para me ensinar a levantar quando eu cair, pois ainda não
estou pronto para fazer isso sozinho.
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