domingo, 3 de maio de 2015

A brincadeira cretina de um amigo meu



Algo aconteceu hoje que me deixou assustado e bravo. Porém, que me fez pensar em certos aspectos dessa vida que vivemos por viver. Alguns vivem né, alguns só existem. Contarei ao leitor sobre o ocorrido.

Um amigo meu, digno do título de cafajeste, está doente. Resfriado, e com falta de sorte, já que a asma atacou durante a madrugada. Teve de ir às pressas para o hospital. Como bom amigo que sou, mesmo sendo muito difícil ser, perguntei na manhã seguinte se já estava melhor. O cretino veio dizer que estava preocupado, pois o nível de anticorpos pareciam estar muito baixos. Não, não usei o “cretino” desnecessariamente, já já o leitor entenderá.

Ele disse que havia um grande probabilidade de ser AIDS, logo arrepiei-me todo. A morte bate à porta e quem foi abrir foi o canalha do meu amigo! Danou-se! Nada mais será como antes. “Hei de perdeu meu verdadeiro amigo?”, pensei com o olhar fixo. Talvez estivesse olhando a textura da parede da frente, é interessante. Sobre o que dizia? Sim, ora diabos, perdi meu amigo pra maldita. Voltei para a conversa, ele disse que o resultado do exame logo sairia. Vejam que inaceitável, o cretino disse que não faria o tratamento se positivo: “sempre pensei que não passaria dos 30 mesmo”, leia isso em tom sarcástico.

Juro, o desespero foi tremendo. Além de cafajeste é rebelde! Quer se mostrar forte diante de todos, enquanto a doença apodrece suas entranhas. Tentei ligar para ele, falar e tentar mudar a opinião da besta, disse que não podia falar no momento. Na tentativa desesperada disso tudo não ser verdade, sempre perguntei se ele estava falando sério, e dizia que sim, era seríssimo. Depois de um tempo, o infeliz diz que era “zuera”: “cara deveria ser ator!”. Confesso ter tranquilizado-me, mas a raiva agora vinha quase nas pontas dos dedos.

O mandei-o tomar no c*. Agora o leitor entende o por que do cretino. Disse-lhe que fiquei muito preocupado. Porém, logo a raiva passou, e refleti. Refleti olhando fixamente para a parede da frente, cheia de texturas. Pensei: “e quando não for brincadeira?” E se perder de forma precoce meu amigo? Senão um amigo, mas um familiar? Minha mãe, pai, irmã. Ninguém escapa da maldita, ao terminar esse texto e me deitar, não sei se vou levantar de manhã. Só quem está prestes a morrer sabe que chegou a hora, para os outros só resta esperar o aviso. 

Por: Fellipe Barreto

Nenhum comentário:

Postar um comentário