Algo
aconteceu hoje que me deixou assustado e bravo. Porém, que me fez pensar em
certos aspectos dessa vida que vivemos por viver. Alguns vivem né, alguns só
existem. Contarei ao leitor sobre o ocorrido.
Um
amigo meu, digno do título de cafajeste, está doente. Resfriado, e com falta de
sorte, já que a asma atacou durante a madrugada. Teve de ir às pressas para o
hospital. Como bom amigo que sou, mesmo sendo muito difícil ser, perguntei na
manhã seguinte se já estava melhor. O cretino veio dizer que estava preocupado,
pois o nível de anticorpos pareciam estar muito baixos. Não, não usei o
“cretino” desnecessariamente, já já o leitor entenderá.
Ele
disse que havia um grande probabilidade de ser AIDS, logo arrepiei-me todo. A
morte bate à porta e quem foi abrir foi o canalha do meu amigo! Danou-se! Nada
mais será como antes. “Hei de perdeu meu verdadeiro amigo?”, pensei com o olhar
fixo. Talvez estivesse olhando a textura da parede da frente, é interessante.
Sobre o que dizia? Sim, ora diabos, perdi meu amigo pra maldita. Voltei para a
conversa, ele disse que o resultado do exame logo sairia. Vejam que inaceitável, o cretino disse que não faria o tratamento se positivo: “sempre
pensei que não passaria dos 30 mesmo”, leia isso em tom sarcástico.
Juro,
o desespero foi tremendo. Além de cafajeste é rebelde! Quer se mostrar forte
diante de todos, enquanto a doença apodrece suas entranhas. Tentei ligar para
ele, falar e tentar mudar a opinião da besta, disse que não podia falar no
momento. Na tentativa desesperada disso tudo não ser verdade, sempre perguntei
se ele estava falando sério, e dizia que sim, era seríssimo. Depois de um
tempo, o infeliz diz que era “zuera”: “cara deveria ser ator!”. Confesso ter
tranquilizado-me, mas a raiva agora vinha quase nas pontas dos dedos.
O
mandei-o tomar no c*. Agora o leitor entende o por que do cretino. Disse-lhe
que fiquei muito preocupado. Porém, logo a raiva passou, e refleti. Refleti
olhando fixamente para a parede da frente, cheia de texturas. Pensei: “e quando
não for brincadeira?” E se perder de forma precoce meu amigo? Senão um amigo,
mas um familiar? Minha mãe, pai, irmã. Ninguém escapa da maldita, ao terminar
esse texto e me deitar, não sei se vou levantar de manhã. Só quem está prestes
a morrer sabe que chegou a hora, para os outros só resta esperar o aviso.
Por: Fellipe Barreto
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