Um
dia desses estava eu voltando para casa. Esperando o 7022, que parecia que
nunca viria. Onde já se viu? Esperar um ônibus por mais de 40 minutos durante a
noite? Creio que seja nesse horário que o 7022 (e muitos outros) deveriam
passar de 15 em 15 minutos. Durante a noite não há segurança, não há policial
que proteja. Ora, no meu funeral vão comentar: “pobre coitado, só estava
esperando o 7022”. Dizia o que mesmo? Sim, eu esperava o ônibus durante a volta
para a casa.
No
meio daquele monte de gente no ponto, quase não pude acreditar, encontrei um
amigo que não via a pelos menos um ano. No instante que o vi, começou a correr
em minhas veias um turbilhão de felicidade. Para que o leitor entenda da melhor
maneira, conheci este amigo na 2ª série e nossa amizade nos levou até o ensino
médio juntos. Rimos e aprontamos muitas coisas. Assim que o vi fui falar com
ele, passei no meio de tantos, não pedi desculpas pelos empurrões que dei para chegar até ele.
Cumprimentei-o com um sorriso no rosto, e acredito que alegria do reencontro fora recíproca. O
amigo não mudou nada, continua o mesmo adolescente que vi no ensino médio.
Perguntei como ele estava, o amigo disse que estava bem. Ficou curioso,
perguntou o que eu estava fazendo ali, disse eu: “estou voltando pra casa,
esperando o 7022”. Não foi possível colocar o assunto em dia, o ônibus que ele
esperava passa um atrás do outro (diferente do maldito 7022). Me despedi e
disse que fora bom vê-lo.
Talvez
o leitor esteja pensando por que nos afastamos depois do ensino médio? Ora,
isso acontece com muitas amizades. Após os estudos surgem as necessidades,
ganhar dinheiro é preciso. Ele foi para um lado e eu fui para o outro. Ainda
nos falamos, só que pouco. Mas agradeço ao destino por ter me dado a graça de
vê-lo depois de tanto tempo. Um reencontro entre amigos é mais verdadeiro do
que um reencontro entre um romântico e sua amada.
Por: Fellipe Barreto
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