domingo, 17 de maio de 2015

Um reencontro entre amigos



Um dia desses estava eu voltando para casa. Esperando o 7022, que parecia que nunca viria. Onde já se viu? Esperar um ônibus por mais de 40 minutos durante a noite? Creio que seja nesse horário que o 7022 (e muitos outros) deveriam passar de 15 em 15 minutos. Durante a noite não há segurança, não há policial que proteja. Ora, no meu funeral vão comentar: “pobre coitado, só estava esperando o 7022”. Dizia o que mesmo? Sim, eu esperava o ônibus durante a volta para a casa.

No meio daquele monte de gente no ponto, quase não pude acreditar, encontrei um amigo que não via a pelos menos um ano. No instante que o vi, começou a correr em minhas veias um turbilhão de felicidade. Para que o leitor entenda da melhor maneira, conheci este amigo na 2ª série e nossa amizade nos levou até o ensino médio juntos. Rimos e aprontamos muitas coisas. Assim que o vi fui falar com ele, passei no meio de tantos, não pedi desculpas pelos empurrões que dei para chegar até ele.

Cumprimentei-o com um sorriso no rosto, e acredito que alegria do reencontro fora recíproca. O amigo não mudou nada, continua o mesmo adolescente que vi no ensino médio. Perguntei como ele estava, o amigo disse que estava bem. Ficou curioso, perguntou o que eu estava fazendo ali, disse eu: “estou voltando pra casa, esperando o 7022”. Não foi possível colocar o assunto em dia, o ônibus que ele esperava passa um atrás do outro (diferente do maldito 7022). Me despedi e disse que fora bom vê-lo.

Talvez o leitor esteja pensando por que nos afastamos depois do ensino médio? Ora, isso acontece com muitas amizades. Após os estudos surgem as necessidades, ganhar dinheiro é preciso. Ele foi para um lado e eu fui para o outro. Ainda nos falamos, só que pouco. Mas agradeço ao destino por ter me dado a graça de vê-lo depois de tanto tempo. Um reencontro entre amigos é mais verdadeiro do que um reencontro entre um romântico e sua amada.

Por: Fellipe Barreto

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