As
tristezas desse mundo acabam na morte. E na morte só há felicidade. Não há mais
sofrimento, choro ou falsidade. O morto diz “graças a Deus que eu morri!”. É
uma felicidade sincera, pois não paga mais contas, não tem mais aquela dívida,
não tem mais parente chato pedindo dinheiro emprestado. Para o morto só resta
ficar eternamente na felicidade fria, nos lindos campos do além.
O
morto acha graça. Ainda não encontrou aquele chefe chato no andar de cima. “O
cretino deve estar supervisionando o churrasco do andar de baixo”, pensou o
morto com um sorriso no rosto. No além houve vários reencontros, muitos deles
emocionantes. O morto pôde voltar a brincar com seu cachorro, sem medo dele ser
atropelado novamente. O morto reencontrou o amor de sua infância, relembraram
justos o sofrimento da partida, o acidente de carro que colocara fim na vida da
amada.
É
na morte que encontramos com quem realmente fomos. Lá o julgamento é feito pelo júri de anjos. Eles lembram de tudo: do acento reservado que você não deu, do mendigo que ficou sem a esmola, da velinha que ficou sem informação. Lembram
até do troco que você recebeu a mais da padaria do bairro. Tudo isso vai na
conta do juízo final. O morto “vive” agora de felicidade. Buscamos durante a
vida sem cessar a tal da felicidade, para somente na morte encontrarmos a
bendita da felicidade.
Por: Fellipe Barreto
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