Nem me lembro mais, se um dia fui
o que era antes. Estou tão diferente, tão modificado, nem um pouco
entusiasmado. A vida segue seu ciclo conturbado, transforma em dramas o que
antes era apenas comédias, do que era amante transforma em solitário. Eu que
antes andava tão acompanhado de tudo, hoje sigo meu caminho tão sozinho, sem
amigo ou amantes.
Dos poucos amigos que guardei,
guardei apenas aqueles que valiam a pena.
Das amantes que um dia tive, ou
parecia ter, mantenho-as nos meus sonhos.
“Bobagem!” talvez diga quem lê,
mas é verdade, é a mais pura realidade. A vida, com o passar do tempo, vai
corroendo o homem, tirando seus amigos, amantes, felicidade e vontade de
continuar. Apresenta para gente a maldita! Ah, que maldita! Apresenta a
tristeza aos nossos olhos, olhos que antes viam e transmitiam apenas alegria,
mas que hoje transbordam carência, tristeza e sono.
Mas a vida não venceu, a vida
continua esse jogo comigo e eu continuo jogando. Apostando pouco ou alto, mas
sigo vivendo, buscando consolo em vinhos baratos, mulheres desfavorecidas de
graça e cigarros de procedência duvidosa. Sigo vivendo e esperando que daqui um
dia, meses ou anos, eu me sentia tão bem quanto antes, quando tudo fazia o
mínimo de sentido.
Por: Fellipe Barreto