Por onde anda aquela que nunca foi minha, mas que em
meus sonhos me pertencia?
Angústia maldita esta, penso em coisas terríveis: “voltou-se
aos braços daquele maldito revolucionário mortadela?”. Faço calar meus
pensamentos, com auxílio daqueles comprimidos e cigarros, amigos poucos
convencidos, tão amáveis, confesso que outro dia o cigarro que vinha em direção
à boca minha perguntou sincero: “como vai seu dia?”, disse que ia sobrevivendo
e o traguei sem dó ou piedade.
Por onde andará a moça dos cabelos encaracolados de
outrora? Faço saber que em meus sonhos não mais a vejo, espero que esteja bem,
feliz cercadas pelos outros amigos, mas se triste estiver, sem pensar, lhe
entrego meus braços para lhe confortar num abraço sincero e cheio de pranto.
Deus ou qualquer outra força que tanto clamamos,
diga-me com sinceridade como ela está, clamo para que deixe-me admirar aqueles
olhos pelo menos mais uma vez, aquele
sorriso revolucionário e ouvir sua nobre voz chamando pelo meu nome.
Resta a mim, voltar à minha tarefa derradeira, cavar
com uma colher de sopa o fundo do poço no qual me deparei.
Fellipe Barreto