quarta-feira, 27 de abril de 2016

Por onde anda?


Por onde anda aquela que nunca foi minha, mas que em meus sonhos me pertencia?

Angústia maldita esta, penso em coisas terríveis: “voltou-se aos braços daquele maldito revolucionário mortadela?”. Faço calar meus pensamentos, com auxílio daqueles comprimidos e cigarros, amigos poucos convencidos, tão amáveis, confesso que outro dia o cigarro que vinha em direção à boca minha perguntou sincero: “como vai seu dia?”, disse que ia sobrevivendo e o traguei sem dó ou piedade.

Por onde andará a moça dos cabelos encaracolados de outrora? Faço saber que em meus sonhos não mais a vejo, espero que esteja bem, feliz cercadas pelos outros amigos, mas se triste estiver, sem pensar, lhe entrego meus braços para lhe confortar num abraço sincero e cheio de pranto.

Deus ou qualquer outra força que tanto clamamos, diga-me com sinceridade como ela está, clamo para que deixe-me admirar aqueles olhos pelo menos mais uma vez,  aquele sorriso revolucionário e ouvir sua nobre voz chamando pelo meu nome.

Resta a mim, voltar à minha tarefa derradeira, cavar com uma colher de sopa o fundo do poço no qual me deparei.

Fellipe Barreto

terça-feira, 12 de abril de 2016

Decepcionante


A decepção que sinto agora, não é a mesma da primeira vez que lhe vi. Ah, é deveras pior, pois me aproximei novamente imaginando algo de novo,  desejando que algo de bom realmente fosse surgir de ti, mas a decepção fora tamanha, você é a mesma de antes, ou pior depois que bebi e fumei, você é nada de mais meu bem. Você é só uma, única com esse dom de ser decepcionante aos espectadores que anseiam algo de bom de ti, você é o nada diante de mim: o tudo.

O texto é pequeno, pois a pessoa não vale as linhas que teimo escrever, leitor.

Por: Fellipe Barreto

domingo, 10 de abril de 2016

Detesto


Me detesto, pois era muito criança quando lhe conheci. Acredita? Mas o tempo fez uso de seus trunfos e nos distanciou, dias, meses e anos. Diga-se que talvez tenha eu amadurecido, mas ainda sou criança e não sou para ti, adiante me peguei lhe relembrando na saudade, mergulhado nas bebidas, tentei afogar o desejo que tinha de lhe ver pelo menos uma última vez.

Levei socos e pontapés das outras, xinguei e me xingaram, pois nenhuma era assim como você. Vi nos ponteiros daquele relógio seu sorriso, vi naquela garrafa de pinga seus vexames, vi em mim a impotência de não tê-la em meus braços. A distância não foi o bastante para lhe afastar de meus pensamentos.

Hoje você volta. E ainda me detesto por não acreditar nisso.

Por: Fellipe Barreto.