quarta-feira, 27 de abril de 2016

Por onde anda?


Por onde anda aquela que nunca foi minha, mas que em meus sonhos me pertencia?

Angústia maldita esta, penso em coisas terríveis: “voltou-se aos braços daquele maldito revolucionário mortadela?”. Faço calar meus pensamentos, com auxílio daqueles comprimidos e cigarros, amigos poucos convencidos, tão amáveis, confesso que outro dia o cigarro que vinha em direção à boca minha perguntou sincero: “como vai seu dia?”, disse que ia sobrevivendo e o traguei sem dó ou piedade.

Por onde andará a moça dos cabelos encaracolados de outrora? Faço saber que em meus sonhos não mais a vejo, espero que esteja bem, feliz cercadas pelos outros amigos, mas se triste estiver, sem pensar, lhe entrego meus braços para lhe confortar num abraço sincero e cheio de pranto.

Deus ou qualquer outra força que tanto clamamos, diga-me com sinceridade como ela está, clamo para que deixe-me admirar aqueles olhos pelo menos mais uma vez,  aquele sorriso revolucionário e ouvir sua nobre voz chamando pelo meu nome.

Resta a mim, voltar à minha tarefa derradeira, cavar com uma colher de sopa o fundo do poço no qual me deparei.

Fellipe Barreto

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