Ela num grito acordou os
vizinhos. Gritando pelo susto, pelo ato que assistira calada, presenciará
quieta por alguns instantes antes do grito delator. Digo sem pesar meu querido
leitor, ela observou atenta o marido querido atingindo o ápice do gozo junto a
ninfeta, que a mulher por dó acolhera.
Houve ira nos minutos que se
seguiram. Lembro agora como os minutos se passaram lentamente, intensamente
lentamente. Coisas que só acontecem em momentos históricos, épicos: como o
disparo contra JFK ou o sapato disparado contra o Bush, amigo meu.
O marido quis explicar-se, mas
para a mulher que era puro pranto, a suspeita havia sido consumada naquela cama
de casal, diante de seus olhos castanhos, agora jaz tristonhos. Logo não havia
explicação, nem o papa nem o Presidente da República podiam justificar tamanha
depravação no quarto do casal.
A mulher, pobre coitada, era
cristã fervorosa. Acolhera a ninfeta, pobre menina, perdera papai e mamãe nos
seus 17 anos. Órfã de papai e mamãe, perdera os queridos num acidente de carro.
Fizera da menina uma noviça feliz, com cama e roupa lavada, tinha agora mãe e
pai amorosos (o pai amoroso até demais).
Mas a ninfeta tinha um feitiço
cravado no corpo: cheio de curvas em delícias pervertidas, seios noviços, a
boca deliciosa desejando os lábios de todos do bairro. Ah, a boca! Querido
leitor, a boca era uma depravação só! A mulher logo percebera os olhares do
marido, mas afinal, não havia o que temer. A ninfeta era pura e inocente,
diferente dos políticos não estava mergulhada na perdição da vida pecadora.
Mas agora estava comprovado.
Selado e embrulhada pra presente: a filha adotada estava deitada nos braços de
seu marido. O caos instalara-se diante dos olhos dela, pobre coitada! Por má
sorte, ainda na hora do grito, veja leitor, despertara o coitado do velho
vizinho!
Por: Fellipe Barreto
Nenhum comentário:
Postar um comentário