domingo, 18 de outubro de 2015

E agora, querida?



E agora, querida? Agora que você se foi, o sofrimento que ti não tivera no momento final coube a mim neste instante, neste seguimento de dia sem ti. Não há manhãs em que eu não desperte sentindo falta: falta do teu corpo junto do meu na velha cama, falta do teu café perfeito, de sua atenção ao meu colesterol, dos remédios que esqueço de tomar. Querida você foi cedo e eu chegarei atrasado ao vosso encontro.

E agora, querida? Os filhos estão longe e eu estou tão sozinho. Quem vai reunir novamente a família nas tardes de domingo? Não tenho forças para tal, não tenho vosso carisma. Fui duro demais com eles, você foi um anjo em nossas vidas. Você foi amiga, eu fui carrasco. Tratei de exigir o melhor deles, e exigi de mim o mínimo de carinho aos meus herdeiros.

E agora, querida? Nossos netinhos perguntam sobre ti. “Vovô cadê a vó?” as lágrimas teimam e postam-se em meus olhos cansados, não consigo responder. Eles querem brincar, querem correr pela casa, querem comer seus doces! Tento ser carinhoso, mas acabo contando-lhes minhas histórias chatas, logo eles perdem a atenção e correm num pega-pega, pra mim intolerável.

E agora, querida? A mágoa que sinto em meu peito dói. Pois o que não lhe disse em vida, agora cala eternamente em meu coração.

Por: Fellipe Barreto

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