E agora, querida? Agora que você
se foi, o sofrimento que ti não tivera no momento final coube a mim neste
instante, neste seguimento de dia sem ti. Não há manhãs em que eu não desperte
sentindo falta: falta do teu corpo junto do meu na velha cama, falta do teu
café perfeito, de sua atenção ao meu colesterol, dos remédios que esqueço de
tomar. Querida você foi cedo e eu chegarei atrasado ao vosso encontro.
E agora, querida? Os filhos estão
longe e eu estou tão sozinho. Quem vai reunir novamente a família nas tardes de
domingo? Não tenho forças para tal, não tenho vosso carisma. Fui duro demais
com eles, você foi um anjo em nossas vidas. Você foi amiga, eu fui carrasco.
Tratei de exigir o melhor deles, e exigi de mim o mínimo de carinho aos meus
herdeiros.
E agora, querida? Nossos netinhos
perguntam sobre ti. “Vovô cadê a vó?” as lágrimas teimam e postam-se em meus
olhos cansados, não consigo responder. Eles querem brincar, querem correr pela
casa, querem comer seus doces! Tento ser carinhoso, mas acabo contando-lhes
minhas histórias chatas, logo eles perdem a atenção e correm num pega-pega, pra
mim intolerável.
E agora, querida? A mágoa que
sinto em meu peito dói. Pois o que não lhe disse em vida, agora cala
eternamente em meu coração.
Por: Fellipe Barreto
Nenhum comentário:
Postar um comentário