sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

O Louco "terrorista"



Quis o louco por toda sua vida, de eternidade (lembro agora enquanto escrevo), fazer somente o bem àqueles que o rodeavam. Mas por mais que tentasse, pobre louco, era pura desgraça! Por mais que mudasse seus modos, ainda não conseguia esconder a falta de insanidade, era pura ignorância e grosseira. Tentou com a ajuda de doutores e pastores. Porém, tudo que diziam, pouco se entendia.

Engoliu dezenas de comprimidos, tanto que havia pouca cachaça para ajudar os comprimidos a descer garganta a baixo. Tentou encontrar o Cristo que os pastores tanto lhe falavam. Certo dia passou a tarde na praça procurando o tal Cristo: “Cadê Cristo!? O moço dos pastores e crentes!?”, avistou uma senhora que vinha passando com o filhinho acompanhando e  disparou: “Minha senhora, Cristo por acaso é seu marido? Ou talvez amante?”. Pobre louco! Mal sabia ele que sua reserva no camarote do inferno fora feito no final daquela tarde.

Continuo na loucura, ferindo a golpes de ignorância e grosseria, todos aqueles que o rodearam e tentavam ajudar. Sua mamãe querida, coitada da velinha idosa, adoeceu na depressão, talvez pela fala grosseira do filho querido. O louco, agora melancólico no leito final de seu mãe, desejava nunca ter nascido, nunca ter sido louco.

Na manhã seguinte, faltou ao enterro de seu mãe. Todos acharam que tamanha grosseria devia ser tratada na surra. E num beco vazio, sozinho o louco bêbado de cachaça caiu numa possa d’água, e fez-se em prantos clamando por fim a todo o sofrimento causado. Queria voltar no tempo e ter dito um “eu te amo mãezinha” sincero e humilde à defunta, àquela que sempre procurou atendê-lo.

Levantou-se, limpou a camisa vermelha comunista, foi cambaleando em direção a marcha dos militares que se fazia no momento final. Louco! E nessa loucura, parou em frente ao batalhão que vinha e gritou: “carrego comigo uma bomba um meu peito e vou detonar, amiguinhos!”. Sem pensar, o batalhão de fardados fuzilaram o louco, agora com fama de terrorista. Morreu sem encontrar o tal Cristo, afogado em pranto e sangue.

Por: Fellipe Barreto 

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