A
cada ano que passa fico mais velho, tento ficar pouco louco. O esforço não é
pouco. Acordo tentando ser um sujeito normal como os demais, mas todo esforço
parece ser nulo. A cada ano que passa fico mais velho, cada vez mais louco.
Por
que fico louco? Talvez seja a velhice que fica mais próximo a cada passo dado.
Sim, a velhice nos deixa loucos. Loucos e preocupados com tudo! No aniversário,
ao soprar as velas, hei de ficar preocupado em colocar fogo na casa, na rua, no
bairro, por fim, na cidade. Assopro as velas e não faço o pedido. Não acredito
nessas coisas, pois não se esqueça, sou louco, louco o aniversariante.
A
cada ano que passa poucos são os amigos que ficam para a comemoração. Os
verdadeiros são os que ficam, e são loucos também. São loucos os amigos do
aniversariante. Alguns são cafajestes, mas isso não vem ao caso. Sobre o que
dizia? Sim, dizia que os amigos do aniversariante são loucos, e por que não!?
Tem a obrigação de compartilhar tamanha loucura, depois de tantas coisas
vividas juntos: tantas bebidas, cigarros, música e linhas.
O
presente aniversário é apenas mais um de tantos. Muitos já se passaram, alguns
foram devidamente comemorados e outros não, não faço questão disso. Mas faço
questão de comer brigadeiros, são deveras importante para um gordo
aniversariante. Quase me esqueço dos salgadinhos, coxinhas e risoles, não
esqueça deles. Um aniversário sem brigadeiro e salgadinhos, não é um
aniversário. É apenas uma confraternização de gente chata, velha e louca.
Desejo
para mim mesmo: mais anos de vida, mais anos com meus amigos, lembrando que
poucos são os que ficam. Desejo momentos felizes, mas os momentos tristes são
essenciais na vida de qualquer ser pensante, pois depois deles é que
valorizamos os momentos felizes. Não sei se desejo mais, não faço questão. Não
assoprei as velinhas, pois não quis botar fogo na casa, nem nos amigos. Sou um
louco sim, louco aniversariante.
Por: Fellipe Barreto