quarta-feira, 29 de abril de 2015

Louco aniversariante



A cada ano que passa fico mais velho, tento ficar pouco louco. O esforço não é pouco. Acordo tentando ser um sujeito normal como os demais, mas todo esforço parece ser nulo. A cada ano que passa fico mais velho, cada vez mais louco.

Por que fico louco? Talvez seja a velhice que fica mais próximo a cada passo dado. Sim, a velhice nos deixa loucos. Loucos e preocupados com tudo! No aniversário, ao soprar as velas, hei de ficar preocupado em colocar fogo na casa, na rua, no bairro, por fim, na cidade. Assopro as velas e não faço o pedido. Não acredito nessas coisas, pois não se esqueça, sou louco, louco o aniversariante.

A cada ano que passa poucos são os amigos que ficam para a comemoração. Os verdadeiros são os que ficam, e são loucos também. São loucos os amigos do aniversariante. Alguns são cafajestes, mas isso não vem ao caso. Sobre o que dizia? Sim, dizia que os amigos do aniversariante são loucos, e por que não!? Tem a obrigação de compartilhar tamanha loucura, depois de tantas coisas vividas juntos: tantas bebidas, cigarros, música e linhas.

O presente aniversário é apenas mais um de tantos. Muitos já se passaram, alguns foram devidamente comemorados e outros não, não faço questão disso. Mas faço questão de comer brigadeiros, são deveras importante para um gordo aniversariante. Quase me esqueço dos salgadinhos, coxinhas e risoles, não esqueça deles. Um aniversário sem brigadeiro e salgadinhos, não é um aniversário. É apenas uma confraternização de gente chata, velha e louca.

Desejo para mim mesmo: mais anos de vida, mais anos com meus amigos, lembrando que poucos são os que ficam. Desejo momentos felizes, mas os momentos tristes são essenciais na vida de qualquer ser pensante, pois depois deles é que valorizamos os momentos felizes. Não sei se desejo mais, não faço questão. Não assoprei as velinhas, pois não quis botar fogo na casa, nem nos amigos. Sou um louco sim, louco aniversariante. 

Por: Fellipe Barreto

A leviana prostituta



Feche, feche os olhos
Apenas sinta...
Me diga, como está sendo 


Sou sua primeira e posso ser tudo;
Linda, excitante, maravilhosa
Posso ser simplesmente;
Tediosa ,temerosa, complicada;
Triste, amarga 


Porém confia em mim e me Sinta...
Aproveite- me Tudo o que comigo fizer ;
No futuro será simplesmente
Mas uma divertida história
Uma grande lição de vida


Então quando estiver
Em minha presença
Recorde -se desse meu lembrete
Que sou apenas esse momento
Nunca me terá novamente


Então porque está tão temente ?
Todos os seus erros
Comigo cometido
Te tornarão mais experiente
Não escute o que te disseram
E sim o que eu que contigo quero


Não se preocupe
Nos céus os pecados,
De tua felicidade
Não são mais lembrados


Feche, seus olhos, e começarei
Diga-me, realmente queres abri-los?
Não se esqueça que quando abri-los
Não será a mesma pessoa
Que os olhos fechou


Ah aí esta, eu sabia!
Ninguém que os fecha
E apenas em mim confia
Jamais Quer abri-los novamente


Não, não peça novamente
Recorde-se, eu lhe avisei
"Aproveite pôs estou disponível
Apenas uma vez por cliente "
Pague na saída
E não se esqueça as  memórias estão inclusas no preço


É apenas o serei daqui para frente
O que poderia ter sido, E não foi
O que foi e não voltará
O que foi e não poderia ter sido


Como sei que não pedirá o dinheiro de volta
Passe meu contato a seus amigos
Só trabalho com os novos que nunca me  tiveram antes


Lembre faço ponto no mesmo lugar
Me vendo apenas para primeira oferta que lhe agradar
Meu nome é
Sra. Primeira vez.
Sou sua hoje e nunca mais retornarei a ser!
 

Por: Agnes Motta

Depoimento de um romântico calado



Acredito que o mundo tenha mudado o homem, em especial os românticos. Atualmente temos medo de demonstrar ao mundo o que sentimos, o que queremos e o que amamos. O mundo coloriu-se de cinza, a timidez é a imperatriz desse império triste e calado. Lembro que na infância bem vivida, demonstrávamos sem medo nossas alegrias, nossa raiva e nossos amores. Porém, quis o mundo se modernizar e mudar aquele menino que cresceu e hoje escreve.

Não quero falar muito, talvez por ser algo pessoal. A presença dela próximo a mim faz com que eu perca esse medo que me tortura. Devo estar beirando a insanidade . “Estou louco!”, gritarei ao mundo enquanto ele não estiver olhando. A conheci a pouco tempo, mas já sinto falta quando vejo seus “bom dia” e das conversar que temos graças a insônia da madrugada. Sofro sem tê-la ao meu lado, sem seu toque, sem seu carinho de seu doce falar, sofro um sofrimento desumano. A cada minuto sem ela trata-se de uma terrível tortura. Peço a anistia! Para que assim e somente assim, esse sofrimento cesse e que meu coração possa bater no ritmo da música.

Talvez esse sentimento seja apenas momentâneo. Talvez na velhice que vem adiante eu nem me lembre mais. Quem sabe eu deva manter em silêncio e apenas cultivar sua amizade. Mas quantos amores ficaram escondidos na amizade? Chego a seguinte conclusão: esse é o erro eterno do romântico, amar escondido um amor divino. Diferente dos comuns que amam o que encontram a cada esquina, o romântico ama eternamente enquanto o sentimento bater no peito.

Um grande amigo meu, que tem fama de bonito e cafajeste, certa vez questionou-me  e que aqui compartilho o questionamento, afim de ajudar os que também sofrem por um amor calado: “o que você tem feito para conseguir essa companhia que você tanto deseja?” Ora! Palmas para o amigo. Confesso nunca ter parado pra pensar nisso. E afina, querido leitor, o que fiz? Fiz nada, sempre deixei que o medo falasse mais alto do que o que grita à minha mente: medo de ouvir uma grosseira negativa e acabar sofrendo ainda mais.

Sonho um mundo em que os sentimentos outrora escondidos falarão mais alto. Enquanto esse mundo não muda e continua mudo, seguirei meus dias num sofrimento que parece não ter fim. Sofro por amar escondido e por ter medo de falar que amo e que aqui escrevo e confesso, amo. Amo fulana de tal.

Por: Fellipe Barreto